quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

APRENDIZADO

Já não me atenho
Ao suave som da flauta doce.
Nem me impressiono
Com o ensurdecedor estrondo
Dos escombros
das ruínas que desmoronam.
Não me importa que a multidão em febre
Clame por ajuda
ou tombe à pedradas a minha porta.

A casa está vazia.
Os móveis estão calados.
Os retratos silenciosos.

Do outro lado da cidade
uma mulher mais forte que a multidão e a música
Ensina-me lições poéticas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

MENSAGEM IX

Não é fácil limpar o quarto antigo. As teias e as aranhas tomaram posse até mesmo das lembranças de cada canto e dos retratos empoeirados. Deixei um cheiro limpo de sabão de côco na superfície das paredes, mas os seres antigos já avançaram até os tijolos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

MENSAGEM VIII


MENSAGEM VII

........Girassol na sacada
No corredor entre dois prédios
.Não consegue olhar pra cima.

Se consola com a rosa ao lado.

MENSAGEM VI

O cachorro branco
No parapeito do quarto andar
Do prédio da frente,
Com as patas já no metal da janela,
Namora o outro, do quinto andar
Deste prédio,
Na mesma posição:
Debruçados sobre o limite concreto
Da vida.
Seus latidos ganham o eterno.

MENSAGEM V

Eis o dia de sensações profundas:
Fulgor que n'alma envolve as nuvens.
O céu baila florido e denso:
Luz, pluma, pétalas, chuva-palavras.

MENSAGEM IV

O cacto espeta o sol
Que sangra sombra.

O sol alimenta o cacto
Que copula espinhos.

O cacto reserva um coração de água
Para quando o sol vazá-lo.

O sol resseca o cacto, o solo, e não sabemos
Quem tem o amor mais incondicional.