terça-feira, 20 de março de 2012


O P H I S
E
S O P H
 I A
S O N
H A M
E
S
O F R E M
 S E M
S A
B E R
Q U
E
S A O
 O
 S
F O S S
 E I S
 D E
A M A N H
  A
E N Q U
  A N T O
 O
 B E L O
A
   V I D A
O
T E M P O
F O G E M

sábado, 20 de agosto de 2011

I


o homem sozinho na cidade imensa

com a sua solidão de milhões como ele

com a trágica máscara

que sustenta a hipocrisia pública

sorri. até para as máquinas



II



o duro homem que a verdade afina

na parafina de seu peito

à luz primeira

procura a rosa em seu ponteio

e resiste

com os punhos

da integridade em riste

frágil?        Inteiro!



III



estrela do agora

brilho em lanças

         quando noite

brilho em ondas

         quando dia

presente fruto

no qual fundem-se

a morte        a vida

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Agony.Angústia.

Extremo limite entre


o estiramento da artéria

E o colapso

em círculos


rodeando o tapete da sala

a tontura toma conta da mente à deriva

os pensamentos inexatos teimam sua orquestração



giros mais rápidos

fúria dos sentidos lateja no sangue que corre

toda a paisagem paira sobre a imagem, de repente

Sunset, de Van Gogh



esse outro que é presença incriminando a ausência a falta

louco concentrado vermelho sol sangrando tudo

o que imergiu no próprio ser numa viagem sem volta sem rota

o outro eu que se esconde no que não sou em mim mas do que me importa

terra terra terra a resistir na água


perpétua partida fugidia solitária deseja raízes no que é alga em vagas marinhas

tece e canta a trama do vento borrasca as nuvens que se borram

desfaz a face serena reviravolta a volta volta os passos torpes

desfiladeiro nos detalhes em que mergulha o pesar de sol cansado

e a lua a lua erótica a suscitar delírios

a cabeça do fogo afoga para que, na água, busque esquecer

busque a verdade como o ar e à tona...

a face incessante insiste e vence



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Indelével

subscrito em teu peito
apenas o beijo voraz
de meu nome
que adormecia
na cicatriz de teu sonho
há muitas eras

andarilho, reencontrou
as margens dos teus olhos
e subitamente a caverna
na qual sussurrou meu nome

e despertou-me
para outra era

subscrito em meu peito
estava o teu nome

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Inação

água na boca
s  a  l  o  b  r  a
porque de sau-
dade

o gosto da sede
insaciável
sol
goela abaixo

o silêncio
da fonte se-
ca palavra
craquelada

a língua semi-
morta no templo
sem visita espera
- seja forte vida

sábado, 6 de agosto de 2011

A outra voz

a geografia do finito
como trote
de um esquadrão de cavalaria
sem patas nem terra

o mundo ilimitado
porém findo
vórtice
caverna
finca a beleza
imensa
do indizível
nos olhos

o saber inocente
da primeira sensualidade
arquipélago de fragmentos:

o ser
e o nada.
o agora
e o sempre.

a crise terrena

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Em tudo

era direito

      era por direito
não era decreto
revolta governo

      nem manifesto
assembleia ofício
foi direto

      foi por ser direto
o alvo certo
sem tempo pra medo
foi mais que perfeito
e cravou-se toda

      no peito
e ainda é

      sempre será
pois a palavra
em carne e sangue e sonho e sempre
escreveu seu nome

      fundo
em torno

      em tudo

Terra, Rosa e Vento

Vários sonham.

Muitos querem
           Arrastar com as mãos
A rosa mais pura da noite
Sem carregar a dor,
          (vinda do sol)
O que a luz revela

Pétalas de desejo ardente
mas que não tiveram o milagre
Senão a falta do milagroso
           Sopro que une terra, rosa e vento

Algo do amor que fim não é
Mas só amor
Livre das mãos do tempo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Habitar-se

fala do rio
                      do risco
           da falta
                      disto
dito eterno
           efêmero
           filtro
                      do ser
movimento in
                      verso
do habitar-se
sempre sem
           saber
a fuga
dura do tempo