quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ESTUDOS DA PEDRA DO SONO

.......................................“O poema inquieta
........................................O papel e a sala.”
........................................João Cabral de Melo Neto


Fostes do sonho engenhado
A arquitetura erigida,
As falas intransitórias
Que tentou emudecer
Com as tuas lições de pedras
Sobrepostas pelo sono
A vasculharem as coisas,
A emantá-las de vida.
Desmistificando o ofício,
Teus objetos poetizam
A concretude psíquica
Com influências surrealistas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ARRUDA

Do bruto motor
Vovô retira o cobre
Com dedos de alicate
E precisão cirúrgica.

Destrincha o velho
Desbrava ferrugens
Garimpa o ouro
Entre a pegajosa graxa

Vem dele a lição de ver as coisas
......................Além das crostas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A LÂMINA ESPIRAL

I
O metro escapa
.....O chão flutua
A voz embala
.....Flui o silêncio
A noite cálida
.....A derme em brasa

II
Vapores de tintas esparsas

III
O metro cava
.....O chão esculpe
O silêncio escapa
.....Livre e certeiro
A voz em brasa
.....Canto fluido

IV
O sonho pousa
..........Vento
O sonho passa

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

RESSONÂNCIAS

Houve um assalto na rua do tombo
Houve um estrondo no escuro da rua
Depois só silêncio
Sombras fugindo
fumaça.

Houve um instante de medo em clausura
bruta luxúria rompida estridente por um grito sem fim.

O mais,
era vaga
a lembrança do nada do que houve na rua
Pois a chuva apagava a notícia já morta
Que a água levava.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

MENSAGEM X

O calor dos corpos incendeia a tinta.

É quando o rio das palavras
Deságua metáforas.
Música que ritma
Os elementos da vida
Que vaza as margens...

Chama que batiza
Os símbolos:
Dão-lhes alma
E morada.

ALABASTRO

Súbito vi
um serafim disperso
mirando o breve
(instante em greve)
a espera do momento de eclodir
de seu casulo de marfim.

CANAIS DE VENEZA





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.............................................Foto: Francesca Cricelli


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A Thomas Mann e Luchino Visconti


O amor que vem, inesperado
e parte, pela vau perdida
suspenso amor que multiplica-se
pelo céu, airado
e escorre, frouxo, pela encosta
do nada, multicor.

O amor no chão, esparramado
espalha ramos, se enraíza
trepa nas coisas,
descobre-se um deus cuja carne
quando o sente, arde, dói
vocifera ao ar que lhe consome as fibras;
mesmo que se sinta
mais e mais, Amor.

Amor que vem
tão súbito
e subitamente,
sem se despedir,
se esvai.